terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Samba Canção

Outra noite
Na sauna chique
Que anda precisando
De uma atenção maior
À higiene da casa

Acho que tem
Enchido tanto
Que eles nem
Dão conta da limpeza

Depois da tradicional
Volta inicial
Já me acho
Dentro de um reservado
Com um baixinho
Fortinho, gostosinho

Sem muitos rodeios
O cara já se vira
Bela bunda
Boa de meter

Mas o cara
Não interage muito
O tesão dele
É dar o rabo
E nada mais

Não demora muito
Ele goza
Respinga no meu pé
Acabou-se assim
A primeira pegação da noite

Pausa para limpeza
Pois pé melado
Me incomoda muito

Voltando da pausa
Vejo um daqueles tipos
Que devem malhar muito
Mas são magros por natureza
E não recorrem a aditivos
E aí ficam ultra definidos
Mas não enormes

Ele para perto de mim
Ao lado de uma cabine
Acho o cara meio familiar
Ele faz aquela indicação
Que não deixa mais dúvida
Hora de entrar na cabine com ele

Consigo buscar na memória
Onde já vi esse cara
Num outro lugar de pegação
Há um ou dois anos

Naquela vez
Esse cara me catou
Mas quando
Entramos numa cabine
Ele logo me dispensou

Duvido que ele tenha
Me reconhecido
Me pergunto por um segundo
Porque naquela outra vez
Eu não servia
E agora sim
Pois posso ter mudado
Um pouco o visual
Mas no campo
Da atratividade física
Acho que continuo igual

Divagações à parte
Deixo o tema para lá
Problema dele
Ter ou não ter
Tesão por mim

E, além de tudo,
Não sou vingativo
E ninguém é obrigado
A me achar
Um parceiro aceitável
Em qualquer pegação

Se eu achei o primeiro
Cara da noite
Pouco interativo
Esse segundo
Tinha mestrado
Em passividade mecânica

Virou uma foda
Altamente burocrática
Ele inclinado pra frente
Eu metendo nele
E só

Achei um tédio
Ele gozou
Eu não
Só uma metida assim
Não me basta

Já comecei a achar
Que devia ter sido
O tipo vingativo
E ter dispensado esse cara
Logo que entrei na cabine com ele

Saio frustrado
Buscando algo
Mais intenso e prazeroso

E fica a confirmação
Que o tesão inicial
Baseado na estética
Não é suficiente
Para uma boa satisfação

Rumo ao estábulo do fundo
Vou até o fim dele
E me aparece
Um tipo bem diferente
Do padrão sauna chique

Cabelos mais compridos
Quase do tipo
De jogador de futebol argentino
Ou de membro
De alguma banda indie

Mais novo do que eu gostaria
Mas à essa altura
Relevo totalmente esse ponto

E o detalhe marcante
O cara está usando
O que pode ser descrito
Como aquelas boxers de algodão
Que americano usa
Ou mesmo como
Uma samba canção

Acho que nunca vi em SP
Alguém numa sauna com isso
Já vi cueca, boxer, sunga, toalha
Já vi até um cara com
Maiô inteiro de mulher

Achei que o tipo poderia ser
Algo como universitário gringo
Em férias paulistanas

Era até bonito de rosto
Corpo normal
Um pouquinho de barriga
Mas só barriguinha de jovem
Mas daquelas que
Se não cuidar
Vira barril de cerveja
Com o passar dos anos

Colamos um no outro
Resolvi investir
Na diversidade estética

Valeu a pena
O oposto da falta
De iniciativa
Dos 2 primeiros da noite

Outros caras perto
Começaram a tentar
Colar em nós 2
Estava egoísta
Naquele momento
Saio dali com ele
Para um reservado

Nos pegamos
Com muita vontade
Corpo com corpo
Apertões
Beijos e mordidas
No peito
Muito beijo gostoso
E gozamos os 2 assim

No fim
Descubro que ele é
Tão gringo quanto eu
E tão diferente
Do padrão estético reinante
Mas foi ele
Que me propiciou
Os melhores momentos
Daquela noite

2 comentários:

Anônimo disse...

Esse lance do cara não querer e depois querer doutra vez já me aconteceu. E sem dúvida me deu vontade de recusar, mas aceitei e foi bom, bem bom!

Pegante disse...

@pedro - minha lógica foi: se resolver recusar o cara só para fazer desfeita, vou ter meio minuto de satisfação, naquela linha de gay podre-carão. já se eu for em frente e o cara for bom de pegada (como foi no seu caso), teria bem mais que meio minuto de alegria. então fui em frente. não deu certo, mas poderia ter dado.